10.6.12

pode até parecer, mas não temos muito tempo, sabe? e hoje não é dia de ficar triste, e sim de celebrar, celebrar cada coisa bem pequenininha, miúda ou quase inexistente... porque existem, sim, existem! a gente é que não anda bom de ver, parece.

hoje não vou ficar refletindo ou me queixando ou sem saber. vou só celebrar, e quem quiser vir junto entre no barco. :) o barco é grande e cabe, quer todos gostem - ou não.

31.5.12

bloco do prazer

e se eu te disser que sonhei a noite inteira, que quase não acordei, que agora já nem sei, que apenas me pergunto se devo ir... mas ir aonde, não é? parece, meu bem, que quero o oito e o oitenta. oitenta carnavais, veja você, será que vou viver? oitenta sonhos desses não aguento.

mas quando eu te disser que o mundo é enorme, enorme, enorme, enorme e sempre nos cabe? vou fazer com que caiba sempre, mesmo se doer, mesmo se acabar. não ando bem das idéias, meu amor, preciso parar de sonhar.

um dia eu vou te dizer, e não sei se você ouve. um dia vou te beijar, e não sei o que vai dar - me preocupo, mas parece que espero. eu andei muito tempo por aí, perdido, alucinado, com músicas nos pés, e tudo o que eu queria era dizer.

as frases me foram presas no peito, querida. só vou te dizer que quero o oito e o oitenta, e não sei onde vou parar.

19.5.12

não tenho


Nada em meu nome,
Nada a esconder,
um tempo inteiro a cumprir,
um mundo enorme a viver,
um monte de sonhos,
quartos e quadros ao montes,
montanhas verdes-vivas

não tenho, menina,
mas é de tanto ter.

Não tenho, aliás, sequer Antônio.
Tenho Karina, tenho tempo e não tenho

não tenho, menina,

Nada em meu nome, a não ser lembranças.

10.5.12

às vezes, só às vezes, pode ser mais simples do que parece. :)

8.5.12

aquela velha música repetida, senhores. ela insiste, ela volta, volta sim, no agudo daquele clarinete, ela vem se fazendo estridente, alta, inspiradora, desesperadora... ela vai aparecer sempre que quiser, sabem? sempre que der na telha. Sim, quedernatelha.

vai tocar quantas vezes inventar, sempre que qualquer mínimo pensamento deixar aberta qualquer fresta - ela vai dar um jeito, queridos. alta, enebriante, precisa e vaga, vai ocupar todo e qualquer espaço. o espaço é dela, o tempo também. Sim, vai rasgar todos os espaços, não vai deixar nada inteiro.

nada intacto, intocado, permanecido. vai embaraçar o que estiver quieto, e aquietar o que estiver louco: vai tirar toda e qualquer ordem.

vai ser corpo e vai ser alma, senhores, vai ser o que ela bem entender.

7.5.12

nem tudo cabe nas palavras, já percebeu? há encantos gigantescos que não cabem, e impaciências enormes também.

6.5.12

Carta a seis de maio,

Caro amigo,

Ontem eu vi um farol, um farol enorme, sabe? E desde então preciso muito escrever. Acho que preciso dizer, soltar, dar vazão a um tudo gigante que tenho em mim. Parece que sempre me vi ora mui pequena, ora gigante, uma enorme distorção de imagem... Então agora fico no caminho. Chamei de Desatino do Norte e Desatino do Sul, mas é porque li num livro, um livro lindo, lindo, lindo, dos mais lindos que já vi na vida. Pois sim, permaneço bem no meio, e não são muitos que vão entender. Tu, talvez, mas não teria tanta certeza.

Desde já adianto que, caso não entendas, não acho mesmo ser culpa tua. É que eu sou em códigos, parece, não só palavras em código: eu inteira. Desde criança parece que gosto, faço disso graça, até acabar acreditando. Bobagem te dizer, se já me conheces... Acho graça, mais uma vez. Felizmente te escrever é uma alegria, começo um desespero e termino rindo, te agradeço antes mesmo de dizer.

Escuta, preciso te contar duas coisas. Uma é que voltei pra minha casa, deu tudo certo. Aquela casa que eu tanto procurava, sabe? Uma casa em mim. A outra é que voltei a dançar. Eu que tinha jurado nunca mais... Lembras? Quebrei a promessa, João. Quebrei, mas também não foi só a promessa, acho que andei quebrando mais coisas. Pena que isso também seja conversa pra outra carta, caro amigo, é coisa demais pra te contar.

Ah, tinha ainda uma terceira coisa por dizer! Não ando boa de contas, veja só. É que estou pensando em ir te ver, que te parece? Daqui a umas semanas, quero conhecer o teu recanto. Ou terei a alegria de tua visita antes? Andas me devendo. Muitas coisas, devo dizer, mas não cobrarei. Hoje não é dia de cobrar, querido, é de ser, apenas. Espero, só espero, que essa carta não tarde a chegar.

Por último, um regalo. Reparei no antigo diário uma frase que achei bonita. Vai pra ti: "Passava assim as noites, sobretudo as noites, esperando sem esperar que o tempo deixasse de ser tempo com o barulho das asas que queria ter."

Que tenhamos asas, João.
o rio abriu, menina. não sei nem onde vai dar, vou arriscando, só sei que o rio abriu... antigamente eu tinha medo de nadar, hoje eu vou é navegando. cada curva ou desvio é uma nota que vou tocar, sem nem saber quem vai ouvir.

o meu rio tem cordas, menina. tem notas, tem silêncios, tem absurdos. ninguém vai ver sentido, porque aliás ninguém vai ver. o rio é meu, tenho dito, e acabou-se.

compartilho brevemente essa paisagem, mas só por um suspiro. assim que passar, serei eu de novo, novamente o rio passando por mim. forte, impiedoso, vezenquando violento. mas não dói, dói não - porque o rio, menina, também sou eu.